Talvez escrever sobre um livro do Stephen King seja, em algum nível, sempre um desafio. Creio que resenha alguma se atreveria a falar mal de alguém tão poderoso e renomado no mundo da escrita e do terror.

O Cemitério (Pet Sematery) foi seu oitavo livro lançado em 1983. Essa história, junto com O Iluminado, está entre as suas mais conhecidas, especialmente com a sinistra adaptação ao cinema – O Cemitério Maldito – de 1989. O filme inclusive ganhou uma continuação 1992, que mantém o clima de terror, mas não supera o primeiro. Existem inclusive boatos que um remake do original estaria sendo planejado para os próximos anos.

Como não poderia ser diferente, a história tem um tom macabro e sinistro que proporciona uma angústia até nos nervos mais valentes. Embora com uma temática um pouco tola até, o livro tem qualidade e surpreende com o seu desenrolar. O Cemitério conta a história de uma família (Os Creed) que se muda para uma pequena cidade do interior. Eles moram uma casa próxima a uma auto estrada. Ao se mudarem eles são apresentados por um vizinho (Jud Crandall) a um cemitério de animais, que foi construído para enterrar os inúmeros animais de estimação que morreram naquela estrada.

Quando o gato da família é atropelado, Louis Creed fica com pena de revelar a verdade para a filha e é apresentado por Jud Crandall a um antigo cemitério indígena próximo ao de animais. Os animais ali enterrados voltam à vida, mas com o espírito modificado.

A temática principal do livro gira em torno da morte. Esse tema tão complicado e pesado a todos é tratado de todas as formas possíveis durante a narrativa. As lições de morte vão desde a necessidade de uma criança entender sobre ela até os traumas da mãe (Rachel) com uma irmã doente que ela viu morrer enquanto criança. A narrativa e o terror da história se concentram exatamente nesses pontos: na tortura psicológica da morte e como aceitá-la sendo que existe uma opção de burlá-la: o cemitério.

Stephen King tem uma narrativa excelente, mesmo com um texto pesado na temática e no conteúdo. Ele usa e abusa de uma linguagem repleta de palavrões e expressões pesadas. Tudo é colocado na medida certa e em poucas páginas o leitor acaba rapidamente envolvido naquele “inferno” psicológico de reflexões sobre a morte.

A minha grande motivação para a leitura foi entender como um autor poderia passar terror e medo simplesmente através da escrita, já que eu entendo que essas sensações precisam de outros ingredientes como imagens e sons. Contudo, O Cemitério é um livro sim de terror. As situações e as torturas psicológicas que os personagens passam em cima de algo tão denso como a morte gera uma angústia e desconforto que pode ser equivalente a sensação de medo dos filmes de terror.

Em linhas gerais, o livro e o filme seguem uma fidelidade e são igualmente sinistros, mesmo que de formas diferentes. Ler Stephen King é sempre uma aula de escrita e um entretenimento de qualidade garantido. Contudo, é importante salientar de que O Cemitério é uma história densa em conteúdo, que pode sim gerar certo desconforto aos mais sensíveis. Por outro lado, aos que adoram terror, especialmente na linha dos filmes dos anos 80, essa é uma excelente escolha.

O CEMITÉRIO NA SARAIVA

 

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