A Vaca e o Frango (Cow and Chicken) foi talvez um dos desenhos mais ousados da TV nos anos 90. A série foi criada pelo americano David Fiess e seu piloto estreou no Cartoon Network em dezembro de 1995. O desenho foi uma das primeiras produções originais, os chamados “Cartoons Cartoons“. A estreia ocorreu em um espaço para pilotos chamado Desenhos Incríveis – O Show, que também apresentou outros sucessos do canal como Laboratório de Dexter, Johnny Bravo e Meninas Super Poderosas.

O enredo da série é simplesmente absurdo e tem nisso a sua força e graça. A Vaca e o Frango são irmãos biológicos e pior, filhos de humanos. A Vaca é uma menininha de sete anos e, como grande parte delas, adora brincar de bonecas e sonha em ser uma princesa encantada. A única diferença é que ela tem leite e pesa 200 quilos (risos). O seu irmão mais velho tem 11 anos e é literalmente um frango. Como todo “irmaozão”, ele tem um senso de proteção e tenta sempre ser mais descolado e sabido do que a sua “irmazinha”.

Outro destaque na série são os pais. Chamados apenas de Mãe e Pai eles possuem apenas as pernas, o que é uma grande brincadeira com outros desenhos que ocultavam os adultos.

Quem não lembra da babá dos Muppet Babies ou mesmo os adultos na série do Snoop, que além de não aparecerem, tinham a voz alterada?

Na Vaca e o Frango, o Pai e a Mãe carregam vários elementos, digamos, pouco comuns nos desenhos. Os dois são completamente inconsequentes, exagerados e irresponsáveis com os filhos. Porém, jamais deixam de lado o amor familiar. Há, por exemplo, um episódio que eles utilizam o dinheiro da faculdade para os filhos comprarem sorvete e soltam a seguinte pérola: “Quem precisa de faculdade, quando se pode comer sorvete?”. Os dois alimentam os filhos com uma catapulta onde servem, para a alegria dos filhos, seu prato favorito: costeletas com batata, que são traseiros de porco (risos).  Feiss também brincava com os esteriótipos dos pais. Quando aparecia uma barata, era o pai que pulava desesperado no colo da mãe. Quando havia uma notícia bombástica, o desmaio também ficava a cargo do pai.

Um dos personagens mais controversos e divertidos é sem dúvida o “cara vermelho”, que é um diabo gordo chamado, algumas vezes, de “Bundefora”. Sendo o suposto “vilão” da série, ele está em todos os lugares usando sempre roupas desconfortáveis e andando sob o seu bum bum (risos). Esse personagem é um dos grandes responsáveis pela graça da série e seu jeito debochado e alegre tira qualquer besteiras que os mais conservadores possam pensar sobre apologias religiosas.

O mundo da Vaca e o Frango é um espetáculo a parte também. Com traços únicos, os personagens têm aparência estúpida, feia e estão sempre vestidos com roupas desconfortáveis. Outro detalhe interessante é que a mistura maluca de animais com humanos não pára apenas nos protagonistas, já que há também o primo Ovelha Negra, a Prima Porca e o divertido Primo Desossado, entre outros.

A série possui quatro temporadas e 52 episódios de pouco mais de 20 minutos. O teor audacioso do desenho trouxe até censura a dois episódios. O piloto, que mostra o Frango indo ao Inferno por ter fumado foi proibido nos EUA, mas por aqui passou. O episódio intitulado The Buffalo Gals foi censurado mesmo aqui, pois continha motoqueiras com feições masculinas que foram entendidas como apologia ao lesbianismo.

A série é um deleite de graça e inovação, mesmo que alguns conservadores acreditem que lesbianismo seja algo que possa ser influenciável. Enfim, é uma série excelente e foi um dos grandes sucessos dos anos 90. Será que tem alguém que nunca ouviu falar da Vaca e do Frango? (risos).

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